Carreira

O Desassossego e a Desassossegada

nighttraffic                                                         (Night Traffic- Lena Karpinsky)

Esse fim de semana volto para São Paulo. De visita, claro. Da última vez que tentei morar na cidade em que nasci pude confirmar a nossa incompatibilidade. O engraçado é que ir para São Paulo me desperta diversas emoções distintas; boas e ruins.

Fico muito feliz em rever os amigos e a família, mas por algum motivo toda vez que volto pra lá, sinto como se estivesse indo ao julgamento da minha vida profissional. Com certeza rola uma projeção da minha parte, mas para o paulistano da gema que tem como prioridade sua carreira, escutar sobre a minha que vive em constante movimento e mutação sem me repreender de alguma forma, não é fácil.

Recentemente decidi mudar de área e começar do zero. Não sei se estou fazendo a coisa certa, mas o fato é que eu preciso experimentar. Mais uma vez priorizei a qualidade de vida na hora de fazer a minha escolha, e ao contrário do que escuto muito por aí eu não tenho quase trinta e preciso me estabelecer, eu ainda tenho vinte e nove e muitas possibilidades pela frente. A vida é muito curta para deixar que a idade determine suas decisões. (more…)

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O Desassossego (parte 1)

basquiat

 (Glenn – Jean-Michel Basquiat)

 Minha infância foi marcada por mudanças. Nasci em São Paulo e aos três anos de idade mudei para o interior. Dois anos depois voltei à capital paulista. Aos oito anos de idade meu pai conseguiu uma oportunidade de trabalho nos Estados Unidos, onde morei por um ano e meio. Voltar para São Paulo ficava cada vez mais difícil. Quando fiz quatorze anos voltamos a morar no interior, mas somente um ano depois meus pais decidiram que era hora de voltar para a cidade grande. Sofri muito na época. Já não é fácil ser adolescente, quanto mais uma adolescente que vive começando do zero.

Quando tinha dezenove anos, meus pais me deram a notícia que devido a problemas financeiros voltaríamos a morar no interior. No entanto, por ser maior de idade, meu pai me deu outra opção: ele pagaria a minha passagem de ida para a Austrália (onde meu irmão estava morando há algum tempo) e chegando lá eu me virava. Não pensei duas vezes, e duas semanas depois de completar vinte anos me mudei para lá.

O acordo seria que meu irmão me ajudaria, e ajudou, mas tive sorte e consegui um emprego nos primeiros dias. Depois de alguns meses na Austrália decidi que não voltaria ao Brasil. Queria aproveitar meu passaporte italiano e fazer faculdade na Europa, e para isso tinha que juntar bastante dinheiro. Meus planos foram interrompidos quando sofri um acidente de carro e fraturei o pescoço. Tive muita sorte por ter sobrevivido e não ter sofrido nenhum tipo de paralisia permanente, mas isso é uma outra longa história. (more…)