Month: April 2014

A Cultura: Ônibus 174

Hoje indico o documentário Ônibus 174, sobre o sequestro de um ônibus no bairro do Jardim Botânico no Rio de Janeiro, em junho de 2000. No documentário de Padilha, ele faz questão de mostrar o lado humano de Sandro (o sequestrador). O lado, que na época ninguém queria conhecer, pois ele não passava de um marginal perigoso que deveria ser eliminado da sociedade. Ao assistir Ônibus 174 percebemos que Sandro na verdade não era um monstro, e sim mais uma vítima do nosso sistema. No link abaixo vocês podem ver o documentário completo (versão original).

O Desassossego e a Sociedade

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     (A victim of society – George Grosz)

Vivemos em uma sociedade que impõe, pressiona e julga. É preciso comprar uma casa, um carro, casar, ter filhos, adotar uma religião e ter uma carreira de sucesso. Até uma certa idade temos que alcançar uma estabilidade e construir uma família. A sociedade espera isso de nós.

O grande filósofo alemão, Friedrich Nietzsche acreditava que seria mais corajoso, mais honesto e muito mais nobre, nos desapegarmos de uma moral servil e viver em um mundo sem Deus. Ele dizia que se é que a verdade pode ser encontrada, só poderá ser encontrada por um indivíduo que ignora propositalmente tudo que tradicionalmente é visto como “importante”.

Quando comecei a ter mais contato com a filosofia de Nietzsche, alguma coisa em mim mudou. Sempre tive dúvidas em relação a ter filhos, nunca tive religião e meus sonhos sempre foram distintos dos da maioria das minhas amigas. Depois de ler alguns livros do filósofo, percebi que provavelmente uma grande parte da população não sabe o que quer de verdade. Somos educados para desejar as mesmas coisas, e segundo Nietzsche, só poderemos buscar nossa própria verdade se deixarmos de fazer parte do rebanho. (more…)

A Cultura: Whores’ Glory e Blackfish

Para começar, quero indicar Whores’ Glory, do diretor Michael Glawwoger, um documentário brilhante sobre a vida das garotas de programa na Tailândia, México e Bangladesh. Vale muito a pena.

 

Outro documentário que vi recentemente e que gostei muito foi o famoso Blackfish, da diretora Gabriela Cowperthwaite. Se trata da situação precária em que vivem as orcas assassinas em cativeiro. Depois desse filme, o Sea World começou a ter bastante prejuízo, e não é pra menos. Recomendo.

O Desassossego (parte 1)

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 (Glenn – Jean-Michel Basquiat)

 Minha infância foi marcada por mudanças. Nasci em São Paulo e aos três anos de idade mudei para o interior. Dois anos depois voltei à capital paulista. Aos oito anos de idade meu pai conseguiu uma oportunidade de trabalho nos Estados Unidos, onde morei por um ano e meio. Voltar para São Paulo ficava cada vez mais difícil. Quando fiz quatorze anos voltamos a morar no interior, mas somente um ano depois meus pais decidiram que era hora de voltar para a cidade grande. Sofri muito na época. Já não é fácil ser adolescente, quanto mais uma adolescente que vive começando do zero.

Quando tinha dezenove anos, meus pais me deram a notícia que devido a problemas financeiros voltaríamos a morar no interior. No entanto, por ser maior de idade, meu pai me deu outra opção: ele pagaria a minha passagem de ida para a Austrália (onde meu irmão estava morando há algum tempo) e chegando lá eu me virava. Não pensei duas vezes, e duas semanas depois de completar vinte anos me mudei para lá.

O acordo seria que meu irmão me ajudaria, e ajudou, mas tive sorte e consegui um emprego nos primeiros dias. Depois de alguns meses na Austrália decidi que não voltaria ao Brasil. Queria aproveitar meu passaporte italiano e fazer faculdade na Europa, e para isso tinha que juntar bastante dinheiro. Meus planos foram interrompidos quando sofri um acidente de carro e fraturei o pescoço. Tive muita sorte por ter sobrevivido e não ter sofrido nenhum tipo de paralisia permanente, mas isso é uma outra longa história. (more…)